Idílio

Ao pé da cerca elevada, Meu cavalo impaciente Agita a crina orvalhada… No entanto, amorosamente, Eu e ela caminhando Sobre a folha adormecida, Vamos cismando, cismando, Como Fausto e Margarida. Do seu cabelo abundante O vago e sentido aroma, Igual ao cheiro hesitante Dos lírios duma redoma, Lentamente me fascina, E eu beijo essa trança…

A garça (1868)

As negras ondas da vida Solitária atravessando, Minh’alma – garça perdida, Vai gemendo e vai voando: A correnteza fremente Sombria passa a arquejar, Mas a garça alvinitente Mal roça as azas no mar: 0 céu pezado se espraia Chumbando a morna amplidão: Fica longe, longe a praia E não tarda a cerração; Em que concavo…

Soneto XXIII

Cidadezinha cheia de graça. Tão pequenina que até causa dó! Com seus burricos a pastar na praça… Sua igrejinha de uma torre só… Nuvens que venham, nuvens e asas, Não param nunca nem um segundo… E fica a torre, sobre as velhas casas, Fica cismando como é vasto o mundo!… Eu que de longe venho…

Tarde de Outubro

Tarde de Outubro [Luís Guimarães Jr.] Foi n’uma tarde de Outubro, Tarde de nuvens saudosas: Na terra um cheiro de rosas: 0 horisonte rubro! Apenas malva singella Do seu regaço nos fólhos: No chao cravados seus olhos E meus olhos n’ella! A aragem lasciva e callida 0s nossos ais afinava, E eu medroso a contemplava:…

Vagalume [Luís Guimarães Jr.]

Vagalume [Luís Guimarães Jr.] (cançoneta, 1865) A Yayá L. Foste brilhar longe, longe Longe, longe te perdeste: Rasgaste as azas no espinho, Sem luz, sem azas, morreste… – Que vale a vida? – Um perfume… Um ai! a vida resume, Vagalume, vagalume. Se brilhasses perto, perto, Perto, perto viverias: Ao pé da gruta e das…

Soneto de Luís Guimarães Jr.

[O Coração que Bate neste Peito] Ocoração que bate neste peito E que bate por ti unicamente, O coração, outrora independente, Hoje humilde, cativo e satisfeito; Quando eu cair, enfim, morto e desfeito, Quando a hora soar lugubremente Do repouso final, – tranquilo e crente Irá sonhar no derradeiro leito. E quando um dia fores…