Razão e Sentimento, de Jane Austen

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Sense and Sensibility (1995)

Razão e Sentimento ( ou Razão e Sensibilidade) é um romance escrito pela escritora inglesa Jane Austen. Foi o primeiro livro publicado pela autora, em 1811, com o pseudônimo “A Lady”; além desse, a autora escreveu Pride and Prejudice (1813), Mansfield Park (1814) e outros. Na apresentação da edição que tenho¹, Raquel Sallaberry Brião nos apresenta muito bem Jane Austen e suas obras. Ler o panorama das adaptações cinematográficas das obras de Jane foi interessante, o que me fez assistir ao filme Razão e Sentimento (1995), com Hugh Grant e Emma Thompson.

Razão e Sentimento é um romance com grandes reviravoltas, e me surpreendeu muito. Com personagens de diferentes caracteres, temperamentos e gostos. É difícil não se emocionar e se identificar com Elinor e/ou Marianne; enquanto a primeira é mais sensata e racional em relação ao amor, a segunda é levada pelos sentimentos e age sem cautela. Os desafios que elas encontram em busca do amor e os desenganos que este proporciona são sentidos e vividos por nós, pois suas ações e sentimentos estão presentes no nosso dia a dia, apesar da distância temporal.

Gostei muito do contraste de condutas entre as duas. A imaginação, a falta de cautela e a insensatez de Marianne lembram a nossa juventude, o que torna fácil se compadecer de sua tristeza; a prudência de Elinor e suas ações são de amadurecimento, de alguém que age com a razão e com autodomínio constante ‒ o que lhe permite julgamentos frios e cautela ao agir. O conhecimento do mundo, as desilusões e as dores fizeram-nas mais fortes, pois a complexidade da vida, do amor e do casamento exigem amadurecimento, sensatez e entrega ‒ e é isso que elas aprendem.

Página de título da edição original, 1811
Jane Austen por Cassandra Austen, 1804

Para satisfazer-me seria necessária a igualdade de gostos. Eu não me sentiria feliz com um homem cujas preferências não fossem em todos os pontos iguais às minhas. Ele teria de penetrar todos os meus sentimentos; os mesmos livros, a mesma música teria de nos encantar a ambos. – Marianne, cap. II

[…] Não, quanto mais permaneciam juntos tanto mais duvidosa lhe parecia a natureza de seu empenho; e, às vezes, por uns breves e penosos momentos, chegava a acreditar que tudo não passava de uma bela amizade. – cap. IV

[…] E Elinor, ao abandonar Norland e Edward, não chorou como eu fiz. Mesmo agora seu autodomínio é constante. Quando foi que a via prostrada ou melancólica? Quando procurou evitar as pessoas, ou mostrar-se inquieta ou desinteressada em companhia delas? – Marianne, cap.VIII

Sua figura e aspectos eram exatamente iguais à imagem que ela havia sonhado para o herói de seu romance; e o fato de havê-la carregado para casa com tão pouco formalismo denotava uma rapidez de decisão que particularmente o recomendava na ação. Todas as circunstâncias relacionadas a ele eram interessantes. Tinha bom nome, morava em sua aldeia preferida, e ela logo descobriu que de todas as indumentárias masculinas a roupa de caçador era a que mais a atraía. Sua imaginação fervilhava, suas reflexões eram agradáveis, e a dor de um tornozelo torcido passava despercebida. – cap.IX

Às vezes somos levados pelo que as pessoas dizem de si próprias, e muito frequentemente pelo que as outras dizem delas, sem nos darmos tempo para deliberar e julgar por nós mesmos. – Elinor, cap.XVII

Era mais forte sozinha, e tal era o apoio que lhe propiciava o seu bom senso, que sua firmeza era tão inabalável , e sua aparência tão constantemente alegre, quanto era possível face a desgostos tão penetrantes e recentes. – cap.XXIII

Apesar de todas as suas qualidades e de seu excelente caráter, Marianne não era cândida nem sensata. Esperava dos outros as mesmas opiniões e sentimentos que os seus e julgava as atitudes dos outros pelo efeito imediato de suas ações sobre ela. – cap.XXXI

Marianne Dashwood havia nascido para um extraordinário destino. Nascera para descobrir a falsidade de suas próprias opiniões e para contrariar, pela sua conduta, suas máximas favoritas. – cap.L

Sense and Sensibility (1995 )

¹ Razão e Sentimento, Jane Austen; tradução de Ivo Barroso – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017.

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