MATER [Luís Guimarães Jr.]

MATER (1867) Tu que soffres talvez, Mulher idolatrada, Bella estrella de amor, visão deslumbradora, Tu em cujo regaço a Castidade mora, Mãe! Mil vezes feliz! Mil vezes adorada! Tu que envias de longe a sombra fatigada Para guiar-me a vida e os passos hora a hora, Tu, meu casto Ideal! Imagem seductora, Onde eu pouzo…

Lenda Antiga [Luís Guimarães Jr.]

A Velhice e a Mocidade Nos umbrais da Eternidade Viram-se um dia. A Velhice Deteve a outra e lhe disse Com toda a serenidade E a mais perfeita meiguice: “Tu és, encanto adorado, O perfil do meu passado E o meu primitivo encanto: Devo explicar-te portanto Da vida o mal condenado E a negra origem…

Página Íntima [Luís Guimarães Jr.]

A minha Mulher  Ils trébuchent, encore ivres du paradis. (Tropeçam, ainda ébrios do paraíso.) –V. HUGO, L’ART D’ÊTRE GRAND-PÈRE. Quando eles vêm saltitantes Como – entre os floridos ramos – Os colibris doudejantes E os travessos gaturamos, Dizer-me as cousas mimosas Que Deus ensina às crianças, Cousas tecidas de rosas E bordadas de esperanças, Frases,…

SUPPLICA (1868), de Luis Guimarães Jr

Queres saber onde minh’alma anciosa Depura a taça dos festins da vida? Onde ella sonha e se extasia e gosa, Núa de louros, – de ambições despidas? É  nos teus lábios, minha mãe querida! Queres saber em que lugar medita Minh’alma á casta Inspiração unida? Onde meu ser illuminado habita Bem como a lua em…

A UNS QUINZE ANNOS (1865), de Luís Guimarães Jr.

M. L És doce e pura e saudosa Como um perfume de rosa, Que pouco a pouco de esváe: És como o frouxel d’um ninho, Os trinos d’um passarinho, Uma pétala que cáe. És alva e meiga e divina Como a nevoa peregrina Da madrugada ao surgir: O céu teu riso enamora, Os anjos formam…

ORAÇÃO A’ VIRGEM (1866)

A minha irmã Amelia Maria! Os prantos da vida São raios do teu fulgor Tu és a Rosa nascida Entre os espinhos da dor. Tu és a loira Esperança Da morte sobre a agonia E’s o Iris da bonança Oh casta e santa Maria! Tu és a divina aurora De todos que crêem em ti:…

Candura (1868), de Luís Guimarães Jr.

Teus dias correm suaves, Bordados de loira luz, Como o pipillo das aves Nos horisontes azues. Tu’alma vai como a prece Dormir no coxim dos céos; O dia rompe e ellat desce, Quente dos braços de Deos! E como o orvalho escondido Entre os seios d’uma flor, Brilha teu seio adormido Nas rosas de teu…

O sono de um anjo[Luís Guimarães Jr.]

[O Sono de um Anjo] Quando ela dorme como dorme a estrela Nos vapores da tímida alvorada, E a sua doce fronte extasiada Mais perfeita que um lírio, e tão singela, Tão serena, tão lúcida, tão bela Como dos anjos a cabeça amada, Repousa na cambraia perfumada, Eu velo absorto o casto sono dela. E…

Meu Pai [Luís Guimarães Jr.]

A Minhas Irmãs Cai a floresta, majestosa e triste, Sob as foices do tempo; – os monumentos Ruem do inverno aos pavorosos ventos: Chegou a tua vez, meu Pai! caíste. Mas como o odor que a natureza calma Deixa no largo bosque desfolhado, Dentro em meu peito, nu e amargurado, Deixaste-me, ao partir, toda a tua…

A choça do lenhador (1868), de Luís Guimarães Jr.

No dorso da cordilheira Tranquilla, humilde, rasteira, A sombra d’uma aroeira, Cheia de fructos e flor, Exposta ao vento, á invernada, Ás chuvas, á trovoada, alegre morada, Existe a alegre morada, A choça do lenhador. Salvos do mundo ás provanças, Vivem n’ella de esperanças, Dois velhos, quatro crianças Na santa paz do Senhor: Е o…